São João Maria Vianney, conhecido universalmente como o Santo Cura d’Ars, nasceu em 8 de maio de 1786, em Dardilly, perto de Lyon, na França, e faleceu em 4 de agosto de 1859, em Ars. Foi canonizado pelo Papa Pio XI em 1925 e proclamado Padroeiro dos Párocos em 1929. Sua vida foi marcada por uma profunda devoção à Virgem Maria, a quem amou desde a infância e em quem encontrou constante consolo no meio de suas lutas pessoais e pastorais.
De origem humilde e com grandes dificuldades nos estudos, perseverou até ser ordenado sacerdote em 1815. Em 1818 foi enviado à pequena aldeia de Ars, onde transformou a vida espiritual da comunidade por meio de sua oração, penitência e dedicação pastoral. Seu amor filial à Virgem manifestou-se em práticas concretas, associações marianas e atos de consagração que fortaleceram a fé de seus paroquianos e deixaram uma marca duradoura na Igreja.
A relação íntima que manteve com a Santíssima Virgem revela como a confiança em sua intercessão pode sustentar a missão sacerdotal e alimentar a fé dos fiéis. Seu exemplo permanece como um testemunho luminoso de como a devoção mariana pode renovar a vida cristã e apoiar a entrega pastoral.
Seu amor à Virgem Maria
Desde criança, demonstrou uma profunda devoção à Santíssima Virgem. Recordava:
“Quando eu era pequeno, já a amava, sem ainda a conhecer.” Catarina Lassagne declarou que ele havia feito dois votos à Santíssima Virgem e jamais os quebrou: celebrar ou mandar celebrar a Santa Missa todos os sábados em sua honra; e repetir diariamente a invocação:
“Bendita seja a Santíssima e Puríssima Conceição da Virgem Maria.”
Enquanto vigário em Écully, fundou uma associação em honra da Imaculada Conceição, cujos membros rezavam três Ave-Marias pela manhã e um Pai-Nosso acompanhado de uma Ave-Maria à tarde. Ao chegar a Ars, estabeleceu também a Confraria do Santo Escapulário e do Santo Rosário.
Em 6 de agosto de 1823, dois terços da paróquia o acompanharam em peregrinação ao Santuário de Fourvière, onde consagrou a paróquia à Virgem. A procissão partiu de madrugada, com bandeiras, cânticos e a recitação do Santo Rosário. Após a celebração da Santa Missa e a Comunhão de muitos fiéis, regressaram em procissão até Ars.
A consagração solene da paróquia realizou-se em 15 de agosto de 1836. Mandou executar um quadro para perpetuar o acontecimento, colocado na entrada da Capela da Virgem. Pouco depois, mandou confeccionar um coração vermelho — que ainda hoje se conserva sobre a estátua de Maria — no interior do qual foram inscritos e depositados os nomes dos paroquianos. Além disso, pediu a cada família que possuísse uma imagem da Virgem, com o texto da consagração gravado na base e assinado por ele; estendeu essa prática inclusive aos visitantes e forasteiros.
A proclamação do dogma da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro de 1854, foi para ele motivo de imensa alegria. Em ação de graças, mandou confeccionar um precioso ornamento litúrgico e adornou a igreja com grande solenidade. Houve iluminação, repique de sinos e procissão com tochas ao redor do templo.
Aconselhava os paroquianos a recitarem a Ave-Maria ao bater de cada hora, e recomendava às mães que consagrassem seus filhos à Virgem com essa oração, todas as manhãs. Durante a epidemia de cólera, mandou cunhar uma medalha com a imagem da Virgem sob o título da Imaculada Conceição e a inscrição:
“Ó Maria, concebida sem pecado, preservai-nos da peste.”
O Padre Renard relatou que a Virgem Maria lhe apareceu diversas vezes. Em certa ocasião, alguém o viu conversando na sacristia com uma Senhora de beleza inigualável, que se revelou ser a Santíssima Virgem. Em outra noite, após sofrer violentos ataques do demônio, foi consolado por Jesus e Maria, que deixaram as marcas de seus pés sobre o assoalho de seu quarto.
Cf. Livro, "Vida do Santo Cura d’Ars".