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Medianeira de Todas as Graças

Por que nós católicos pedimos as graças a Deus por meio de Maria?

Porque, por disposição divina, Ela é a Medianeira universal de todas as graças.

Mas São Paulo não diz, na sua epístola a Timóteo: “Há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (I Tim 2,5)?

Jesus Cristo é o único Mediador, e essa mediação de Jesus Cristo beneficia a própria Virgem Mãe. A mediação de Maria é para a aplicação da graça, mediação necessária, mas secundária, subordinada, dependente da de Jesus Cristo.

Quer dizer então que Maria é Medianeira necessária de todas as graças?

Sim, Ela é medianeira necessária, por vontade de Deus, para a aplicação da graça. Com efeito, as graças merecidas por Jesus Cristo, para santificarem deveras, os homens precisam checar às almas, informá-las, delas expulsando o pecado e tornando-as agradáveis a Deus, capazes de fazer atos sobrenaturais, meritórios da vida eterna. E esta aplicação da graça às almas, merecida por Jesus Cristo, não se faz sem a intervenção de Maria. “Tendo prestado seu ministério na Redenção dos homens”, ensina Leão XIII, “Ela exerce paralelamente o mesmo ministério na distribuição da Graça que daquela Redenção perpetuamente decorre, investida para esse fim de um poder quase imenso” (Enc. “Adjutricem Populi” 1895).

A Mediação de Maria é um Dogma de Fé?

Não, a Mediação de Maria ainda não foi definida pela Igreja como Dogma de Fé. Mas é uma verdade sempre crida e ensinada na Igreja. Embora os Papas já se tenham pronunciado várias vezes, ensinando ser Nossa Senhora Medianeira de todas as graças, falta ainda a definição final e solene do Magistério .

Em que se baseia a Igreja para ensinar que Maria é Medianeira?

No fato de Ela ser Mãe de Deus, Mãe do Redentor e, por isso, nossa Mãe, nossa Corredentora e Dispensadora de todas as graças .

Que quer dizer: Maria é nossa Corredentora?

Quer dizer que Maria cooperou real e imediatamente com Jesus, Redentor divino, na Redenção dos homens. Não com uma cooperação colateral, mas dependente, subordinada a Jesus Cristo. Como causa secundária, subordinada, mas real, eficaz e verdadeira. O Filho de Deus teria podido remir-nos sozinho. Mas, de fato, Ele quis a cooperação de sua Mãe.

Em que se baseia a Igreja para ensinar essa verdade?

1) Na Sagrada Escritura: Já no Antigo Testamento, quando Deus promete o Redentor, associa-O à figura de sua Mãe, a corredentora (Gen. 3,15). A mesma verdade encontramos nas “figuras de Maria”, aquelas mulheres do Antigo Testamento que conseguiram a libertação de seu povo, como já vimos. No Novo Testamento, vemos Maria cooperar de maneira próxima e eficaz na Redenção: quando consentiu em ser a Mãe do Redentor (Lc. 1,38); e quando quis estar de pé junto à Cruz sofrendo, em seu coração materno, o que o Redentor sofria em seu Corpo (Jo. 19,25-27). Mas é sobretudo na Tradição constante da Igreja que vemos a pregação desta verdade: na Liturgia, nos Concílios, nos documentos pontifícios e nas sentenças dos santos Padres e Doutores. Não custa insistir, a Tradição constante da Igreja é infalível.

Onde estão as provas de que Deus escolheu Maria para dispensadora de todas as graças?

1) Na Sagrada Escritura:

• a) Naquela celebre passagem do Gênesis já citada, em que Maria é apresentada como unida por estreitíssimo vínculo a Cristo na obra da Redenção. Ora a Redenção tem também seu aspecto subjetivo de aplicação das graças às almas. Portanto, Maria colabora também na aplicação da graça.

• b) Em passagens do santo Evangelho, sobretudo se tomadas em conjunto, em que as graças são dispensadas pela Virgem Santíssima: na Visitação (Lc. 1,41-45); no milagre das bodas de Cana (Jo. 2,1-2); na descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos (At. 1,12-14). E na promulgação solene da maternidade universal de Maria feita por Nosso Senhor na Cruz (Jo. 19,26).

A voz da Tradição também é unânime neste ponto, são inúmeros os pronunciamentos dos Santos Padres, dos Doutores e dos Papas. Reforçam ainda essa Verdade as incontáveis graças obtidas em todos os tempos da Igreja por intermédio de Maria, os milagres, sobretudo nos Seus santuários.

Fonte: Pequeno Catecismo de Nossa Senhora

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