Menu

Menu

Nossa Senhora do Rosário.

Por Livro Luz, tomo II, Festividades principais que se celebram no mesmo dia todos os anos, do P. Juan Rey, S.I.

Compartilhe

Meditação: 

Nossa Senhora do Rosário, tal como apareceu aos videntes de Fátima, com o Coração rodeado de espinhos e o rosário nas mãos.

Ponto 1. Coroa de Rosas

 Nossa Senhora de Fátima apareceu com o rosto triste. Tinha o semblante triste por causa dos pecados que os homens cometiam e dos castigos que haveriam de receber. Para que os pecadores se convertessem e os castigos fossem afastados, a Santíssima Virgem pediu que fizéssemos sacrifícios e elevássemos orações.

Quais orações Nossa Senhora de Fátima recomendou? Ela ensinou aos pastorinhos as jaculatórias que deveriam rezar quando fizessem algum sacrifício; mas recomendou-lhes, sobretudo, que rezassem o Santo Rosário.

A Santíssima Virgem mostrou o seu Coração coroado de espinhos; e rezar o Rosário é retirar os espinhos do Coração da Virgem e coroá-lo de rosas. Cada Ave-Maria é uma rosa, e todo o Rosário, cento e cinquenta Ave-Marias entrelaçadas nos mistérios da vida de Jesus Cristo e da Virgem. Rezar o Santo Rosário é retirar, uma a uma, as espinhas do Coração de Maria, até substituir a coroa de espinhos por outra coroa de rosas. Espinhos são as ofensas que os homens fazem à Virgem. As ofensas que lhe fazem os hereges, negando a sua maternidade divina e todos os privilégios que dela derivam. O Rosário é uma profissão de fé nos privilégios da Virgem.

Os hereges dizem que não és Mãe de Deus; pois eu proclamo que és a Mãe de Deus. Os hereges querem encontrar faltas até nas palavras que conhecem de Ti; pois eu proclamo que és santa, sem qualquer mancha de pecado: Santa Maria, Mãe de Deus.

Mais do que as afirmações dos hereges, entristecem a Virgem as blasfêmias de seus filhos. Teus filhos perversos lançam ao teu rosto a imundície de sua boca infernal; pois eu desfolho sobre tua fronte os mesmos louvores que ouviste dos lábios de um anjo na casinha de Nazaré e aqueles que estás ouvindo de todos os bem-aventurados no céu.

Eu te saúdo como Deus te saúda. Eu te digo que és cheia de graça. Aquela que conquistou o coração de Deus. A mais querida por Ele, a mais admirável de todas as mulheres que existiram e existirão sobre a terra.

Ao rezar o Rosário, retiramos os espinhos que, com suas iniquidades e blasfêmias, os homens cravam no Coração de Maria e os substituímos por rosas. A Virgem também está triste pelas ofensas que são feitas a Deus; e, ao rezar o Rosário, retiramos dela essa causa de tristeza.

Ao rezar o Rosário, meditamos sobre a redenção de Jesus Cristo, sobre aquilo que Jesus Cristo sofreu pelos pecados dos homens, desde que desceu do céu até que voltou a sentar-se à direita do Pai eterno. Vemos o Filho de Deus chorando nos braços de sua Mãe na fria noite de Belém… e o vemos destroçado e morto na triste tarde da Sexta-Feira Santa. E, ao meditarmos sobre os sofrimentos de Cristo pelos pecados dos homens, recordamos as terríveis palavras que pronunciou no caminho do Calvário: Não choreis por Mim; chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque, se a justiça divina se abate desta maneira sobre a árvore verde de seu Filho santo, como se abaterá sobre a árvore seca dos pecadores.

Aterrorizados por essa ameaça de Jesus Cristo, que é a mesma que a Virgem traz em suas aparições, lançamo-nos aos pés de Maria e exclamamos: Mãe de Deus e nossa Mãe, nós somos aqueles que matamos esse teu Filho; rogai por nós, pecadores. E, ao repetir uma vez e outra essa súplica, cumprimos o pedido da Virgem: que rezemos pelos pecadores. Assim, consolamos o seu Coração e retiramos os espinhos que o ferem, substituindo-os pelas rosas do arrependimento e da expiação.

Ponto 2. Arma Vitoriosa

O rosto da Virgem estava triste porque previa os castigos que haveriam de vir sobre a terra pecadora: guerras, fome, perseguições à Igreja e ao Vigário de Jesus Cristo. E, para afastar esses perigos, ela nos pede que rezemos o Rosário.

A história da Igreja confirma que o Rosário livrou o povo cristão de perigos nos quais se encontrou. O Rosário foi a arma com que a Igreja triunfou sobre a heresia albigense. Terrível foi a luta que teve de sustentar no final do século XII. Os bens da Igreja foram confiscados; o nome de sacerdote era uma afronta e um insulto; os eclesiásticos não se atreviam a usar a tonsura e o traje talar. Quando um missionário se aventurava a pregar, provocava um tumulto de gritos de desprezo. A Europa estava mergulhada na mais espantosa confusão e anarquia. Nem os elogios nem as ameaças conseguiam convencer os líderes da seita, que pretendia o aniquilamento da Igreja. A santidade e a eloquência de São Bernardo haviam fracassado.

Os Pontífices Romanos organizavam cruzadas militares, mas nem as ciências, nem a eloquência, nem as armas eram suficientes para conseguir a vitória. Foi então que a Santíssima Virgem trouxe do céu o segredo da vitória: o Santo Rosário, que entregou a São Domingos; e, com aquela arma, conseguiu-se aquilo que por nenhum outro meio havia sido conseguido: a conversão de inúmeros hereges.

Corria o século XVI, e outro inimigo, ainda mais temível, levantou-se contra a Igreja: o poderio turco. Selim decretou a conquista de Chipre, que lhe serviria de ponte para avançar sobre as nações cristãs e destruí-las. O perigo para a cristandade era pavoroso. Sua Santidade Pio V pede auxílio ao imperador Filipe II e à República de Veneza, e forma-se a Santa Aliança contra o poder muçulmano. A frota cristã, que haveria de decidir o destino da batalha, é confiada a Dom João da Áustria e faz-se ao mar. À vista das galeras inimigas, o generalíssimo cristão hasteia na galera capitânia o estandarte da Santa Cruz e, ao redor, coloca o Rosário.

A batalha desencadeia-se ferozmente. Os canhões ribombam, membros humanos e estilhaços de navios voam pelos ares; as chamas tomam conta das galeras; as ondas ficam vermelhas de sangue. Há momentos de indecisão e angústia. As forças humanas não são suficientes para conseguir a vitória.

Mas, ali, na retaguarda, nos salões do Vaticano, um santo Pontífice levanta os olhos ao céu e implora a proteção da Virgem com o Rosário nas mãos; e, com o Papa, toda a cristandade ora e reza o Rosário. E a Igreja triunfou; e o poderio muçulmano ficou para sempre submerso nas águas de Lepanto. Em agradecimento à Virgem, Pio V dedicou uma festa a Nossa Senhora das Vitórias, festa que um de seus sucessores, Gregório XIII, perpetuou com o nome de Festa do Santo Rosário.

O Rosário é a arma que, nestes últimos tempos, Deus quer que nós, cristãos, manejemos para triunfar sobre os inimigos da Igreja e para triunfar sobre a Justiça de Deus. Este pedido faz parte da mensagem da Virgem de Fátima.

Ultimamente, a prática desta devoção tradicional havia diminuído. Paulo VI, depois do Concílio, quis reavivá-la, exortando na Encíclica Mense Maio: “Não deixeis de inculcar com todo o cuidado a prática do Rosário, a oração tão querida da Virgem e tão recomendada pelos Sumos Pontífices, por meio da qual os fiéis podem cumprir da maneira mais suave e eficaz o mandato do Divino Mestre: Pedi e recebereis; buscai e encontrareis”.

TEMAS ANTERIORES

A Jesus
por Maria!