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Credo Mariano

Por San Gabriel de La Dolorosa

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Esta oração foi composta por São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, também conhecido como São Gabriel da Virgem Dolorosa, ou simplesmente São Gabriel das Dores — um jovem que nutria um coração profundamente apaixonado por Nossa Senhora. No seu «Credo de Maria» São Gabriel recorda-nos a fé profundamente mariana e, ao mesmo tempo, cristocêntrica, própria dos santos de todos os tempos da Igreja Católica. Como todo bom membro da «Congregação da Paixão de Jesus Cristo», ou simplesmente «Congregação Passionista», São Gabriel alimentou um profundo amor pela Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas dores da sua Mãe, Maria Santíssima — tanto que adotou no seu nome religioso o título de Nossa Senhora das Dores.

Unido intimamente a Jesus Cristo crucificado e à Virgem das Dores, São Gabriel santificou-se rapidamente e atingiu os cumes da perfeição cristã. Nas palavras do seu «Credo de Maria», São Gabriel revela-nos traços marcantes da sua espiritualidade: o amor e a confiança que dedicava à Santíssima Virgem.

Creio, ó Maria, que, como Vós mesma revelastes a Santa Brígida, sois Rainha do Céu, Mãe de Misericórdia, alegria dos justos e guia dos pecadores arrependidos; e que não há homem tão perverso que, enquanto viva, não receba a vossa misericórdia; e que ninguém se afastou tanto de Deus que, invocando-Vos, não possa voltar a Ele e alcançar o perdão; pelo contrário, será sempre infeliz quem, podendo recorrer a Vós, não o fizer.

Creio que sois a Mãe de todos os homens, a quem recebestes como filhos, na pessoa de João, conforme o desejo de Jesus.
Creio que sois, como declarastes a Santa Brígida, a Mãe dos pecadores que desejam emendar a vida, e que intercedeis por toda a alma pecadora diante do trono de Deus, dizendo: «Tende compaixão de mim».

Creio que sois a nossa vida e, unindo-me a Santo Agostinho, aclamo-Vos como única esperança dos pecadores, depois de Deus.

Creio que estais, como Santa Gertrudes Vos contemplava, com o manto estendido, e que nele encontram refúgio tantas criaturas selvagens: leões, ursos, tigres e outros; e que Vós, em vez de os afugentar, os acolheis com piedade e ternura.

Creio que, por intermédio de Vós, recebemos o dom da perseverança: se Vos sigo, não me desviarei; se recorro a Vós, não me desespero; se Vós me sustentais, não cairei; se Vós me protegeis, não temerei; se Vos acompanho, não me cansarei; se chego a Vós, receber-me-eis com amor.
Creio que Vós sois o sopro vivificante dos cristãos, o seu amparo e o seu refúgio, especialmente na hora da morte, como revelastes a Santa Brígida; pois não é costume Vosso abandonar os vossos devotos nessa hora, como assegurastes a São João de Deus.

Creio que Vós sois a esperança de todos, sobretudo dos pecadores; sois a cidade de refúgio, em especial para quantos se veem desamparados.

Creio que sois a protetora dos que estão em perigo, a esperança dos desesperados; e que, como Santa Brígida ouviu, Jesus Vos dizia que até ao próprio demônio concederíeis a misericórdia, se humildemente Vo-la pedisse. Não rejeitais nenhum pecador, por mais sobrecarregado de culpas que esteja, se ele recorre à vossa misericórdia. Com a vossa mão maternal, arrancais-o do abismo do desespero, como ensina São Bernardo.

Creio que Vós socorres todos quantos Vos invocam e que sois mais pronta a alcançar-nos graças do que nós a pedi-las.

Creio que, como revelastes a Santa Gertrudes, acolheis sob o vosso manto todos quantos recorrem a Vós, e que os Anjos protegem os vossos devotos contra os ataques do inferno. Sais ao encontro de quem Vos busca e, mesmo sem Vos pedirem, muitas vezes estendeis a vossa ajuda; e creio que serão salvos aqueles a quem Vós conduzis à salvação.

Creio que, como revelastes a Santa Brígida, os demônios fogem ao ouvir o vosso nome, deixando a alma em paz. Uno-me a São Jerónimo, a Epifânio, a Antonino e a outros para afirmar que o vosso nome desceu do Céu e Vos foi dado por ordem de Deus.

Declaro que sinto, com Santo António de Pádua, as mesmas delícias ao pronunciar o vosso nome que São Bernardo sentia ao pronunciar o do vosso Filho. O vosso nome, ó Maria, é melodia para os ouvidos, doçura para o paladar e júbilo para o coração.

Creio que não há outro nome, além do de Jesus, tão repleto de graça, esperança e suavidade para quantos o invocam. Estou certo, com São Boaventura, de que não se pronuncia o vosso nome sem que dele resulte algum fruto espiritual. Tenho por firme que, como revelastes a Santa Brígida, não existe no mundo coração tão frio no amor, nem tão afastado de Deus, que não seja libertado do demônio se invocar o vosso santo nome.

Creio que a vossa intercessão é necessária para a nossa salvação; que todas as graças que Deus concede aos homens passam pelas vossas mãos; que todas as misericórdias divinas se repartem por vossa mediação; e que ninguém entra no Céu sem passar por Vós, que sois a porta. Creio que a vossa intercessão não é apenas útil, mas indispensável.

Creio que Vós cooperais na nossa justificação; sois a restauradora da humanidade; a Corredentora do mundo inteiro.
Creio que quantos não recorrerem a Vós, como à arca da salvação, perecerão no mar revolto deste mundo. Ninguém se salva sem o vosso auxílio.

Creio que Deus estabeleceu não conceder graça alguma senão por vosso intermédio; que a nossa salvação está nas vossas mãos; e que quem procura obter graça de Deus sem recorrer a Vós pretende voar sem asas.

Creio que quem não é socorrido por Vós recorre em vão a todos os outros santos: o que eles fazem com Vós, Vós podeis fazê-lo sem eles; se Vos calais, nenhum santo intercede; se Vós intercedeis, todos os santos se unem a Vós. Proclamo-Vos, com São Tomás, como a única esperança da minha vida, e afirmo, com Santo Agostinho, que só Vós velais pela nossa salvação eterna.

Creio que sois a tesoureira de Jesus e que ninguém recebe de Deus dom algum senão por vossa mediação: encontrando-Vos, encontra-se todo o bem.

Creio que um só dos vossos suspiros vale mais do que todas as súplicas dos santos e que Vós podeis salvar todos os homens.

Creio que sois tão piedosa Advogada que não recusais defender os mais infelizes. Confesso, com Santo André de Creta, que sois a reconciliação celestial dos homens.

Creio que sois a pacificadora entre Deus e a humanidade e que sois o chamamento divino que atrai os pecadores ao arrependimento, como Deus mesmo revelou a Santa Catarina de Sena. Como o ímã atrai o ferro, assim atraís os pecadores, como assegurastes a Santa Brígida. Tendes olhos para ver as nossas misérias e um coração que se compadece e socorre.

Chamar-Vos-ei, com Santo Epifânio, de «Aquela cujo olhar tudo abrange». E confirma-o aquela visão de Santa Brígida, na qual Jesus lhe disse: «Pede-Me, Mãe, o que quiseres». E Vós respondestes: «Peço misericórdia para os pecadores».

Creio que a misericórdia que trazeis do Céu, inata em Vós, cresceu agora em proporção tão grande quanto a do sol em relação à lua, como ensina São Boaventura. E assim como não há corpo que não receba alguma luz do sol, também não há alma que não participe da vossa misericórdia.

Creio ainda, com São Boaventura, que não só Vos ofendem os que Vos insultam, mas também os que não Vos pedem graça. Quem Vos honra não se perderá, por mais pecador que seja; pelo contrário, como adverte São Boaventura, quem não é devoto Vosso perecerá. A vossa devoção é a porta do Céu, digo com Santo Efrém.

Creio que, como revelastes a Santa Brígida, sois a Mãe das almas do Purgatório, e que as suas penas são suavizadas pelas vossas orações. Por isso, afirmo com Santo Afonso que os vossos devotos são muito afortunados e, com São Bernardino, que Vós libertais os vossos devotos das chamas do Purgatório.

Creio que, ao subirdes ao Céu, pedistes e obtivestes, sem qualquer dúvida, levar convosco para o Céu todas as almas que então se encontravam no Purgatório. Creio também que, como prometestes ao Papa João XXII, libertais do Purgatório, no sábado seguinte à sua morte, aqueles que usarem o vosso Escapulário do Carmo. Mas o vosso poder vai introduzindo no Céu a quantos Vós quiserdes. Por Vós enche-se o Céu e esvazia-se o inferno.

Creio que os que se apoiam em Vós não cairão em pecado e que os que Vos honram alcançarão a vida eterna. Sois a piloto celestial, que conduz ao porto da glória os vossos devotos na nau da vossa proteção, como dissestes a Santa Maria Madalena de Pazzi. Afirmo o que assegura São Bernardo: prestar-Vos devoção é sinal certo de predestinação; e também a afirmação do Abade Guerrico: quem Vos tem um amor sincero pode estar tão certo de ir para o Céu como se já nele estivesse.

Creio com Santo Agostinho que não há santo tão compassivo como Vós: dais mais do que se Vos pede; ides ao encontro do necessitado; buscais quem salvar. Muitas vezes salvais até mesmo aqueles a quem a justiça do vosso Filho está prestes a condenar, como ensina o Abade de Celles. Por isso, estou convencido da verdade contida na visão que teve Santa Brígida. Jesus Vos dizia: «Se as vossas orações não se interpusessem, não haveria neste caso nem esperança nem misericórdia». Opino também com São Fulgêncio que, se não fosse por Vós, a terra e o Céu teriam sido destruídos por Deus.

Creio, como revelastes a Santa Matilde, que éreis tão humilde que, apesar de Vos verdes enriquecida com dons e graças celestes inumeráveis, não Vos preferíeis a ninguém. E que, como dissestes a Santa Isabel Beneditina, consideráveis-Vos a mais humilde serva de Deus e indigna da sua graça.

Creio que, por causa da vossa humildade, ocultastes de São José a vossa maternidade, ainda que aparentemente parecesse necessário manifestá-la; e que servistes Santa Isabel e, na terra, buscastes sempre o último lugar.

Creio que, como revelastes a Santa Brígida, tínheis um conceito tão humilde de Vós mesma, porque sabíeis que tudo recebestes de Deus; por isso, em nada buscastes a vossa própria glória, mas unicamente a glória de Deus.

Creio com São Bernardo que nenhuma criatura do mundo é comparável a Vós em humildade.
Creio que o fogo do amor que ardia no vosso coração para com Deus era tão intenso que, num instante, poderia inflamar e consumir o Céu e a terra, e que, em comparação com o vosso amor, o dos santos seria frio.

Creio que cumpristes perfeitamente o mandamento do Senhor: «Amar a Deus»; e que, desde o primeiro instante da vossa existência, o vosso amor a Deus foi superior ao de todos os anjos e serafins.

Creio que, por causa desse intenso amor a Deus, nunca fostes tentada e que jamais tivestes um pensamento que não fosse dirigido a Deus, nem pronunciastes palavra alguma que não fosse para Ele.

Creio com Suárez, Ruperto, São Bernardino e Santo Ambrósio que o vosso coração amava a Deus mesmo quando o vosso corpo repousava, de tal modo que se pode aplicar-Vos o que diz a Sagrada Escritura: «Eu durmo, mas o meu coração vigia»; e que, enquanto vivíeis na terra, o vosso amor a Deus nunca foi interrompido.

Creio que amastes o próximo com tal perfeição que não houve quem o amasse mais, excetuando o vosso Filho. E que, ainda que se reunisse o amor de todas as mães para com os seus filhos, dos esposos entre si e de todos os santos e anjos do Céu, esse amor seria inferior ao que Vós dedicais a uma só alma.

Creio que tivestes, como diz Suárez, mais fé que todos os anjos e santos juntos; pois, mesmo quando os Apóstolos duvidaram, Vós não vacilastes. Chamar-Vos-ei, pois, com São Cirilo, «Centro da fé ortodoxa».

Creio que sois a Mãe da Santa Esperança e o modelo perfeito de confiança em Deus. Fostes tão mortificada que, como dizem Santo Epifânio e São João Damasceno, mantivestes sempre os olhos baixos, sem jamais os fixardes em pessoa alguma.

Creio no que dissestes a Santa Isabel Beneditina: que não possuístes nenhuma virtude sem trabalhardes para a adquirir; e, com Santa Brígida, creio que repartistes todos os vossos bens pelos pobres, sem reservardes para Vós mais do que o estritamente necessário.
Creio que desprezáveis as riquezas mundanas. Creio que fizestes voto de pobreza.

Creio que a vossa dignidade é superior à de todos os anjos e santos e que a vossa perfeição é tão grande que só Deus a pode conhecer plenamente.

Creio que, depois de Deus, a maior dignidade é ser Mãe de Deus e que, portanto, não poderíeis estar mais unida a Deus sem ser o próprio Deus, como dizia Santo Alberto. Creio que a dignidade de Mãe de Deus é infinita e única no seu género, e que nenhuma criatura pode subir mais alto. Deus poderia ter criado um mundo maior, mas não poderia ter formado criatura mais perfeita do que Vós.

Creio que Deus Vos enriqueceu com todas as graças e dons, gerais e particulares, que concedeu a todas as demais criaturas juntas. Creio que a vossa beleza ultrapassa a de todos os homens e anjos, como revelou o Senhor a Santa Brígida.Creio que a vossa beleza afugentava todo impulso de impureza e inspirava pensamentos castos. Creio que fostes menina, mas que da meninice tivestes apenas a inocência, e não os defeitos próprios da infância.

Creio que fostes virgem antes de dar à luz, ao dar à luz e depois de dar à luz; fostes Mãe sem perder a virgindade, e virgem sem perder a maternidade. Trabalháveis sem que a ação Vos distraísse; oráveis sem descuidardes das vossas ocupações. Morrestes sem angústia, sem dor e sem corrupção do vosso corpo.

Creio que, como ensina Santo Alberto, fostes a primeira a oferecer, sem conselho de ninguém, a vossa virgindade, dando exemplo a todas as virgens que Vos haveriam de imitar; e que Vós, à frente de todas, carregais o estandarte dessa virtude. Por Vós, o vosso castíssimo esposo, São José, manteve-se virgem.

Creio também que estáveis resolvida a renunciar à dignidade de Mãe de Deus antes de perder a vossa virgindade. Direi com o Beato Alano que praticar a devoção de saudar-Vos continuamente com a Ave-Maria, por meio do Rosário, é um magnífico sinal de predestinação para a glória.

 

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