Maria foi preservada «em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano». A sua santidade, portanto, não a separa da redenção de Cristo: manifesta de modo eminente a eficácia da graça do seu Filho. (Pio IX, Ineffabilis Deus, 8 de dezembro de 1854; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 53).
Maria é Mãe de Deus porque o Filho que nasceu dela é o Verbo eterno feito homem. Este título não significa que Maria seja a origem da divindade, mas que é verdadeiramente Mãe de Jesus, que é a pessoa divina do Filho encarnado. A tradição da Igreja, expressa no Concílio de Éfeso e no ensinamento de São Cirilo de Alexandria, confessa por isso a Virgem como Theotokos, isto é, Mãe de Deus. (João Paulo II, encíclica Redemptoris Mater, 4; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 53; Concílio de Éfeso, 431).
A grandeza de Maria não a coloca ao nível de Cristo nem compete com o lugar único d’Ele. Tudo o que ela recebeu procede de Deus e está ordenado ao seu Filho. O Concílio Vaticano II ensina que a sua missão materna não obscurece a mediação única de Cristo, antes manifesta a sua eficácia; a cooperação de Maria depende de Cristo e está subordinada a Ele. Por isso, a devoção mariana autêntica conduz a Jesus e favorece a união dos fiéis com Ele. (João Paulo II, Redemptoris Mater, 38, 40 e 43; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 60-62).
A frase seguinte não pertence a uma encíclica, mas à Constituição Dogmática Lumen gentium do Concílio Vaticano II. Exprime com clareza a relação entre a cooperação materna de Maria e a mediação única de Cristo: «A função materna de Maria para com os homens de maneira nenhuma obscurece nem diminui esta única mediação de Cristo; antes, serve para demonstrar o seu poder». (Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 60).
Na Anunciação, Maria respondeu livremente ao chamado de Deus: «Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). O seu consentimento foi uma resposta de fé e entrega, não uma ação independente da graça. O Concílio ensina que Maria se dedicou à pessoa e à obra do seu Filho «sob Ele e com Ele»; por isso, a sua cooperação singular deve ser entendida sempre como dependente e subordinada à obra salvadora de Cristo. (João Paulo II, Redemptoris Mater, 13-14; Paulo VI, Exortação Apostólica Signum Magnum, 5; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 56).
Esta cooperação manifestou-se ao longo da vida de Maria: no acolhimento da Palavra, na sua maternidade, na sua presença junto de Jesus e na sua união com Ele ao pé da Cruz. Não significa que Maria seja uma redentora independente nem que a salvação tenha outra fonte além de Cristo. Significa que Deus a associou de modo singular à obra do seu Filho e que a sua resposta de fé é um exemplo para a Igreja. (João Paulo II, Redemptoris Mater, 18-19, 22-23; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 57-58 e 61; Dicastério para a Doutrina da Fé, Mater Populi Fidelis, 2025).
Junto à Cruz, Jesus confiou a sua mãe ao discípulo amado e confiou o discípulo à sua mãe (cf. Jo 19,25-27). A Igreja reconhece nesta passagem um fundamento bíblico da maternidade espiritual de Maria. Esta maternidade não substitui Cristo nem altera a relação pessoal dos crentes com Ele; exprime o cuidado materno que o Senhor confiou a Maria em favor dos seus discípulos. (João Paulo II, Redemptoris Mater, 23-24 e 38; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 61-62).
Maria é também modelo de fé para a Igreja e para cada discípulo. O seu «sim» em Nazaré, a sua fidelidade junto à Cruz e a sua oração com os Apóstolos mostram uma vida orientada para Deus e para Cristo. Contemplá-la ajuda a compreender a vocação da Igreja: escutar a Palavra, acolhê-la com fé e dar testemunho de Jesus. O Concílio apresenta Maria como modelo da Igreja e como sinal de esperança e consolo para o Povo de Deus em peregrinação. (João Paulo II, Redemptoris Mater, 25-28; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 63-65 e 68).
Os católicos prestam a Maria uma veneração especial, distinta da adoração devida unicamente a Deus. Amam-na como Mãe de Jesus e mãe espiritual dos discípulos, e pedem a sua intercessão, confiando que a sua missão materna está ao serviço de Cristo. O ensinamento da Igreja apresenta a função de Maria como subordinada à mediação do seu Filho e orientada para Ele. (Paulo VI, Exortação Apostólica Marialis Cultus, 22 e 25; João Paulo II, Redemptoris Mater, 38 e 45; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 66-67).
Neste texto, o título «Mãe da Esperança» exprime uma meditação espiritual sobre a fidelidade de Maria: ela acolheu a promessa de Deus e permaneceu unida ao seu Filho mesmo na provação. A Igreja contempla-a como sinal de esperança e consolo para o povo cristão na sua peregrinação; esta esperança não substitui Cristo, antes está fundada em Deus e na obra salvadora de Jesus. (João Paulo II, Redemptoris Mater, 6 e 28; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 68).
Maria, Mãe da Esperança, ajuda-nos a dizer «sim» a Deus como tu o disseste. Ensina-nos a acolher a sua Palavra, a levar Jesus aos outros e a permanecer unidos a Ele nas alegrias, nas provações e na vida quotidiana. Esta oração é uma composição devocional inspirada no consentimento de Maria na Anunciação e na sua missão materna, não sendo uma citação de uma encíclica. (Lc 1,38; João Paulo II, Redemptoris Mater, 13-14 e 45).
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