Segundo a história dos pastorinhos de Fátima, Nossa Senhora, na terceira aparição de Fátima, em 13 de julho de 1917, depois de mostrar a Francisco Marto, Lúcia dos Santos e Jacinta a visão do inferno, revelou-lhes o chamado «Segredo». Falou pela primeira vez sobre a consagração da Rússia e a comunhão reparadora. Nesses termos, ofereceu-lhes o único remédio decisivo e eficaz contra os males do mundo:
«Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu lhes disser, muitas almas se salvarão e terão paz. A guerra vai terminar, mas, se os homens não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior […]. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados. Se atenderem aos Meus pedidos, a Rússia converter-se-á e haverá paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.»
Assim, o principal objetivo da devoção ao Imaculado Coração de Maria é alcançar a paz e a salvação das almas. Como disse a Virgem Maria à Irmã Lúcia:
«Se fizerem o que Eu lhes digo, muitas almas se salvarão e terão paz. A guerra vai terminar.»
Com estas palavras, Nossa Senhora deixou claro que a consagração ao Seu Imaculado Coração faz parte essencial dos pedidos realizados em Fátima.
A Divina Providência escolheu posteriormente outra alma santa, a Beata Alexandrina de Balasar, para difundir a mensagem de Jesus, pedindo que o mundo fosse consagrado ao Imaculado Coração de Maria.
A Beata recebeu este pedido do próprio Jesus depois da Comunhão de 30 de julho de 1935. Naquela ocasião, Jesus disse-lhe:
«Manda dizer ao teu diretor espiritual que, como prova do amor que dedicas à Minha Santíssima Mãe, quero que se faça todos os anos um ato de consagração do mundo inteiro num dos dias das suas festas escolhido por ti: Assunção, Purificação ou Anunciação, pedindo a esta Virgem sem mancha de pecado que envergonhe e confunda os impuros, para que retrocedam no seu caminho e não Me ofendam. Assim como pedi a Santa Margarida Maria que o mundo fosse consagrado ao Meu Divino Coração, assim te peço a ti que seja consagrado a Ela com uma festa solene.» (Carta ao Padre Pinho, 1.º de agosto de 1935)
Cada uma destas palavras reveste-se de especial importância: o amor de Alexandrina à «Minha Santíssima Mãe», o caráter anual do ato de consagração e o paralelismo com o pedido anteriormente feito a Santa Margarida Maria.
A história mostra como a Beata Alexandrina de Balasar e o Padre Mariano Pinho, S.I., seu diretor espiritual, desempenharam um papel decisivo na preparação espiritual da consagração mundial ao Imaculado Coração de Maria.
Tendo Alexandrina recebido a missão de pedir ao Papa a consagração do mundo ao Coração de Maria, o Padre Pinho prestou-lhe uma colaboração inestimável.
Em 1931 teve o seu primeiro encontro com Alexandrina Maria da Costa, a conhecida mística de Balasar. Em 16 de agosto de 1933 tornou-se seu diretor espiritual, por ocasião de uma pregação em honra do Sagrado Coração de Jesus. Então, o Senhor disse a Alexandrina:
«Obedece em tudo ao teu diretor espiritual. Não foste tu quem o escolheu; fui Eu quem to enviei.»
Somente na festa da Santíssima Trindade de 1936 o Padre Mariano Pinho ficou plenamente convencido da autenticidade da mensagem. Por isso, em 11 de setembro, escreveu ao Papa por intermédio de Sua Eminência o Cardeal Eugénio Pacelli, transmitindo o pedido que Jesus havia confiado a Alexandrina para que o mundo fosse consagrado ao Imaculado Coração de Maria.
Em 1937, a Santa Sé solicitou informações sobre o caso de Balasar ao Arcebispo de Braga, por meio da Nunciatura de Lisboa. O Provincial dos Jesuítas, Padre Paulo Durão, S.J., encarregou seu irmão, o Padre António Durão, S.J., de visitar Alexandrina. Após a visita, reconheceram as suas virtudes e a solidez da sua vida espiritual, embora lamentassem a ausência de um sinal extraordinário que confirmasse a origem divina dos pedidos.
Em novembro desse mesmo ano, Jesus disse a Alexandrina:
«Minha filha, virei buscar-te em breve, mas não quero vir sem que antes seja realizada a consagração do mundo à Minha Santíssima Mãe. Ela será glorificada por teu intermédio, e também será maior a tua glorificação.»
No ano seguinte, Jesus pediu novamente que Alexandrina transmitisse ao seu diretor espiritual a necessidade de escrever ao Santo Padre para solicitar a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria.
Em junho de 1938, o Padre Mariano Pinho pregou os Exercícios Espirituais ao Episcopado Português reunido em Fátima. Como fruto daquele retiro, os bispos dirigiram uma súplica coletiva ao Papa Pio XI solicitando essa consagração.
Nesse mesmo ano, em outubro, Alexandrina começou a viver visivelmente, todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão de Cristo. O Cónego Manuel Pereira Vilar, reitor do Seminário de Braga, presenciou o fenómeno em janeiro de 1939 e reconheceu-o como o sinal esperado para confirmar a autenticidade da missão de Alexandrina.
Pouco depois faleceu Pio XI e o Cardeal Eugénio Pacelli foi eleito Papa com o nome de Pio XII. Em 20 de março de 1939, Jesus comunicou a Alexandrina:
«Será este o Papa que realizará a Consagração. O Papa de coração de ouro está decidido a consagrar o mundo ao Coração de Maria… Todo o mundo pertence ao Divino Coração de Jesus; todo o mundo pertencerá ao Imaculado Coração de Maria.»
Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Jesus pediu insistentemente sacrifícios e destacou a urgência da Consagração. Alexandrina respondeu generosamente:
«Está bem, Jesus; tudo o que quiseres, mas salva as almas.»
Em dezembro desse ano, Jesus acrescentou:
«O Coração da Minha Bendita Mãe está tão ferido pelas blasfémias que contra Ela são proferidas… Por isso, a Consagração do mundo Lhe dará muita honra e glória.»
Em 1941, enquanto a guerra devastava a Europa, Jesus renovou mais uma vez o seu pedido:
«Diz ao teu Paizinho que escreva ao Papa para que consagre o mundo ao Imaculado Coração da Virgem Mãe. Toda a humanidade agoniza sob o peso da justiça do Eterno Pai. Só Ela poderá salvá-la.»
O Padre Pinho mobilizou congregações religiosas e numerosos bispos de vários países para apoiar o pedido junto do Santo Padre.
Finalmente, em 31 de outubro de 1942, Pio XII consagrou a Igreja e o género humano ao Imaculado Coração de Maria por meio de uma radiomensagem transmitida em português para os peregrinos reunidos em Fátima. A sua mensagem estruturou-se em três grandes temas: gratidão, confiança e súplica, exaltando a proteção maternal de Maria e confiando-Lhe a paz do mundo.
O Papa concluiu com estas palavras:
«A Vós, ao vosso Imaculado Coração, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos e consagramos não só a Santa Igreja (…) mas também todo o mundo, dilacerado por discórdias e abrasado em incêndios de ódio.»
1942 (dezembro): Pio XII renovou a consagração.
1964: Paulo VI renovou-a ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II.
1981–1984: São João Paulo II realizou várias consagrações, incluindo a solene de 25 de março de 1984, em união espiritual com os bispos do mundo inteiro.
2000: São João Paulo II voltou a consagrar o mundo durante o Jubileu dos Bispos.
2013: O Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria em 13 de outubro.
O pedido de Jesus, transmitido pela Beata Alexandrina de Balasar, encontrou eco na Igreja e culminou no ato solene realizado por Pio XII em 1942, posteriormente renovado pelos seus sucessores. O Imaculado Coração de Maria permanece como refúgio seguro e esperança de paz para a humanidade, sinal de que Deus quis colocar no Coração da Santíssima Mãe uma via privilegiada para a salvação das almas e a renovação espiritual do mundo.
Cf. http://alexandrinabalasar.free.fr/