
Maria, como todo descendente de Adão, herdou a mancha do pecado original?
Não. Desde o primeiro instante da sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus, em virtude dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, Ela foi preservada imune de toda a mancha do pecado original. Por isso, a Igreja a chama: Imaculada Conceição.
Este privilégio diz apenas imunidade de pecado (original e atual) e de concupiscência?
Não. Maria não somente foi preservada da mancha do pecado e da chama da concupiscência, mas, desde o primeiro instante de sua concepção imaculada, foi cumulada de graças por Deus, num grau incomparávelmente superior a todos os anjos e homens. Por esse motivo o Anjo a saudou: “Ave, cheia de graça”. Maria também foi remida pelo Sangue de Jesus, na Cruz? Sim, Maria também foi remida pelos merecimentos de Jesus Cristo, seu divino Filho, só que de um modo especial e singular. Os merecimentos do Salvador tiveram por efeito não purificar sua Mãe, mas preservá-la do pecado que Ela devia contrair como filha de Adão. Para Maria, a Redenção não foi liberativa, mas preservativa.
Por que Maria foi preservada do pecado original?
Porque escolhida para ser a Mãe de Deus. O Salvador não poderia ter escolhido formar seu corpo adorável de uma carne que tivesse sido manchada com a nódoa do pecado. E Santo Anselmo diz que Deus, conservando puros milhões de anjos no meio da ruína de tantos outros, não podia deixar de preservar da queda comum a Mãe de seu Filho e Rainha dos anjos.
A Imaculada Conceição de Maria é um dogma definido pela Igreja?
Sim, o Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1854, definiu solenemente como de Fé Católica a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, na Bula “Ineffabilis Deus”… com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos: A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, ao primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isso deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis” (n. 41).
Esta verdade está, de fato, contida no Depósito da Revelação?
1) Na Sagrada Escritura:
- a) “Porei inimizades entre ti e a mulher; entre a tua descendência e a descendência dela (…) ela te esmagará a 16 cabeça” (Gen 3,15). Conforme a doutrina constante da Igreja, a “mulher” de que fala o Gênesis é Maria, Mãe de Jesus, sua “descendência”. Nessa passagem são prenunciadas a comum inimizade e comum vitória total do Redentor e de sua Mãe Santíssima sobre o demônio. Ora, essas “inimizades” e essa vitória (“Ela te esmagará a cabeça”) supõem, não somente em Jesus, mas também em Maria, uma total ausência de pecado, mesmo original.
- b) “Ave, cheia de graça; o Senhor é contigo” (Lc 1,28). O sentido exato, da saudação do Anjo, “Ave, cheia de graça” (kecharitoméne) é que Maria nunca esteve sem a graça. Logo nunca esteve com o pecado.
- c) “Toda és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula” (Cânticos 4,7). A Igreja aplica estas palavras a Maria, Esposa castíssima do Espírito Santo. E ainda estás: “Como a açucena entre os espinhos, assim é a minha amiga entre as donzelas” (Cânticos 2,2). 2)
- d) Na Tradição: Expressa no ensino oficial da Igreja, na Liturgia, na pregação constante dos Padres e doutores. A própria razão nos persuade desta verdade. Maria é Mãe de Deus. Portanto, era sumamente conveniente à Santíssima Trindade que Ela fosse imaculada.
Em que dia celebramos a festa da Imaculada Conceição?
No dia 8 de dezembro.
Fonte: Pequeno Catecismo de Nossa Senhora