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Meditações dos Mistérios Gloriosos

Do Pe. Rodrigo Molina

 

Primeiro Mistério: A Ressurreição do Senhor

«Passado o sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. E, de repente, houve um grande terremoto: um Anjo do Senhor desceu do céu, aproximou-se, removeu a pedra e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como o relâmpago e a sua veste branca como a neve. Os guardas tremeram de medo diante dele e ficaram como mortos. O Anjo disse às mulheres: “Não tenhais medo; eu sei que procurais Jesus, o Crucificado. Ele não está aqui, porque ressuscitou, como havia dito.”» (Mt 28,1-8).

Meditaçao

A nossa morte já não é uma morte eterna. A morte já não tem domínio sobre nós. A ressurreição é a mão libertadora de Deus. Quão amável é Deus, cuja mão libertadora é a ressurreição!

A vida do seguidor de Jesus não termina na morte, num sepulcro que se encerra para sempre. A morte não é um sepulcro permanentemente fechado. Termina num túmulo vazio — eis a ressurreição.

O sepulcro de Jesus está vazio. Tudo o que é d’Ele ressuscitou e permanece para sempre. No sepulcro vazio de Jesus, os anseios de imortalidade do homem encontram satisfação. As palavras e as promessas de Jesus permanecem, nunca morrem:

«Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e por todos os séculos.»

«Jesus já não morre; a morte já não tem poder sobre Ele.»

O túmulo, cenário da ressurreição, é o triunfo da excelência de Deus; é o acolhimento, pelo seguidor de Jesus, da excelência de Deus. É o lugar onde se consolida a confiança em Deus e a fé n’Ele.

Por isso, a lição mais profunda da minha existência é esta: tudo há de morrer para ressuscitar. O sentido do túmulo é acolher a minha morte para me entregar a vida que vem de Deus. (Pasta 83-3)

 

Segundo Mistério: A Ascensão do Senhor

«Por fim, Jesus apareceu aos Onze e lhes disse: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criação. Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado. E estes sinais acompanharão os que crêem: expulsarão demônios em Meu nome, falarão novas línguas, pegarão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal. Imporão as mãos sobre os enfermos e estes ficarão curados.” Depois de lhes falar, o Senhor Jesus foi levado ao céu e sentou-Se à direita de Deus.» (Mc 16,14a-19).

Meditação

Jesus é acolhido e assenta-se à direita de Deus — eis o cerne da nossa fé. Por trás desta imagem, está a essência do cristianismo.

Dizer que Jesus, o Filho do Homem, se assenta à direita de Deus, é afirmar que Lhe foi entregue o reinado sobre todo o universo e que Lhe foi dado todo o poder no céu e na terra.

Jesus inaugura o seu reino presente com a Ressurreição, a Ascensão e a sua assunção à direita do Pai.

Jesus, assentado à direita de Deus, é exaltado como «o Senhor». É o Filho de Deus manifestado solenemente, oficialmente, sem limite nem condição, como «o Senhor e Soberano» de todo o universo.

Cumpre-se assim o que diz o Salmo 110, 1:

«Disse o Senhor ao meu Senhor: assenta-te à minha direita, até que faça dos teus inimigos o escabelo dos teus pés.»

Na mentalidade hebraica, tanto no Antigo como no Novo Testamento, a mão direita era símbolo de poder e o lugar à direita representava a honra, a excelência e o favor.

Ao elevar o homem Jesus à sua direita, Deus revela o seu favor sem limites para com Ele: confere-Lhe a excelência máxima, a igualdade consigo; é o Filho de Deus e participa plenamente no seu poder e no seu domínio.

Jesus à direita do Pai é a nossa esperança e a nossa firmeza. Esperar o futuro que ainda não vemos é saber suportar com paciência as dificuldades do presente.

Jesus à direita do Pai é a certeza absoluta de que Deus me chama a configurar-me com a imagem do seu Filho, para participar na sua glória e na sua excelência; é a nossa esperança. (Pasta 83-21)

 

Terceiro Mistério: A Vinda do Espírito Santo sobre Maria Santíssima e a Comunidade dos Apóstolos

“Todos eles perseveravam unânimes na oração, juntamente com Maria, a Mãe de Jesus… Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Viram então aparecer umas línguas como de fogo, que se dividiam e pousavam sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem.” (At. 1,14; 2,1-4).

Meditação

Deus quer dar-se a nós: a plenitude de tudo o que Deus é e pode dar é o Espírito Santo. O Espírito Santo é o dom por excelência.

No dia de Pentecostes, Deus concede-me o Espírito Santo. O dom do Espírito Santo é, por assim dizer, o dom mais completo — não maior, mas mais pleno.

No Espírito Santo, o dom de Deus, a entrega de Deus a mim, atinge a sua plenitude máxima. O Espírito Santo é Deus, animado por esse «vínculo» que é o amor — que dá a Deus uma capacidade infinita de se doar, de se unir a quem recebe o dom, de se fundir com ele em comunhão perfeita. O amor acrescenta ao ser a capacidade de penetrar até ao mais íntimo. O amor sabe chegar ao fundo.

O amor possui tudo o que é necessário para chegar à essência, e só o amor tem essa virtude. O amor tem o poder de atrair o outro, de o levar a abrir-se e a acolher o dom de quem o ama.

É o Espírito de Deus que torna a presença de Deus entre nós plena e real. No Espírito Santo, a presença de Deus atinge a sua plenitude. Por isso, é através de Cristo que Deus se faz presente em nós no Espírito Santo.

O Espírito Santo cria comunhão. Reúne tudo num só corpo; faz sempre a unidade.

Jesus confia os apóstolos ao Espírito Santo, introduz-os na sua escola; e o Espírito Santo elimina neles toda a separação, apaga todas as barreiras e funde-os num só. (Retiro de 21-02-1982)

Santa Maria, Virgem Imaculada e Mãe de Deus, é pura transparência ao Espírito Santo.

O Espírito Santo desceu sobre ela e estabeleceu comunhão com ela, não uma comunhão passageira para uma missão transitória, mas uma posse permanente, que fez de Santa Maria o instrumento indispensável da redenção operada pelo Filho de Deus. (Pasta 89-27)

 

Quarto Mistério: A Assunção de Nossa Senhora, em Corpo e Alma, ao Céu

 «O meu Amado fala e me diz: “Levanta-te, minha amada, minha bela, e vem. Eis que o inverno já passou, as chuvas cessaram e se foram. Levanta-te, minha amada, minha bela, e vem.” Quem é esta que sobe do deserto como uma coluna de fumaça, perfumada com mirra e incenso, com todos os aromas das mais finas especiarias? Tu és toda bela, minha amada; não há mancha alguma em ti! Vem do Líbano, minha esposa; vem do Líbano e aproxima-te!» (Cântico dos Cânticos 2,10-11.13; 3,6; 4,7-8).

 Meditaçao

A Ressurreição de Santa Maria e a sua Assunção ao céu são a consagração total do seu corpo e da sua alma a Deus, realizada pelo Espírito Santo na comunhão íntima com Deus; e ela reina, como Rainha, à direita do seu Filho.

Nessa comunhão, e a partir dela, junto ao Coração de Deus, Santa Maria não cessa de nos amar, sendo instrumento pronto e dócil nas mãos do Espírito Santo.

Assunta ao céu, ela é semelhante ao seu Filho, Deus feito homem, porque fez da sua vida um serviço humilde e generoso, tal como Jesus o fez na cruz. Também eu devo fazer da minha vida um louvor a Deus. Como? Imitando Nossa Senhora. (Pregação, 15 de agosto de 2001)

A Ressurreição de Santa Maria e a sua Assunção ao céu são a consagração total do seu corpo e da sua alma a Deus, realizada pelo Espírito Santo na comunhão com Deus; ela está assentada como Rainha à direita do seu Filho.

Nessa comunhão íntima com Deus, junto ao seu Filho, Santa Maria não deixa de nos amar, como instrumento dócil nas mãos do Espírito Santo. (17-12-1989)

 

Quinto Mistério: A Coroação da Santíssima Virgem Maria como Rainha e Senhora de toda a Criação

 

«Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.» (Ap 12,1)

«Entra a princesa, belíssima, vestida de pérolas e brocado; é conduzida à presença do rei, com um cortejo de virgens que a seguem. Caminham entre alegria e júbilo; entram no palácio real. O Vosso trono, ó Deus, permanece para sempre; cetro de retidão é o cetro do Vosso reino. À Vossa direita está a Rainha, adornada com o ouro de Ofir.» (Sl 45,7.10.14-15).

Meditaçao

Maria é Rainha e Senhora de todo o universo e tem verdadeiro domínio sobre tudo o que foi criado. O reinado de Maria distingue-se pelo amor e pela misericórdia. Ela intercede e pede, e também exorta, como fez em Caná: «Eles já não têm vinho… Fazei o que Ele vos disser.» Por isso, a Igreja ensina que «ela, por si só, derrotou todas as heresias do mundo» — e também vencerá as de hoje. Confiemos em Maria, amemo-la. Imitemo-la, e ela fará vencer em nós o mal e a todos os que o seguem.

Maria deixa-nos uma arma: o Rosário.

Santa Maria é a beleza eterna de Deus, sem princípio nem fim; é a Assunta, em corpo e alma; é a Medianeira universal, que distribui todas as graças, e que reina ao lado do seu Filho, como Rainha do céu. (Conferência, 24 de outubro de 1976)

«Assim como Cristo, o novo Adão, é Rei porque é Filho de Deus e nosso Redentor, do mesmo modo, por uma relação análoga, a Bem-aventurada Virgem é Rainha, porque é Mãe de Deus e foi associada, como nova Eva, a Jesus, o novo Adão.» (Encíclica Ad Coeli Reginam — Pio XII)

Santa Maria entra na vida íntima de Deus, onde vive em comunhão com Ele, unida e enraizada em Deus por laços singulares e inefáveis.

Todo o ser de Maria é relação com Cristo, seu Filho: é n’Ele que existe, age e se realiza; é uma só coisa com Cristo, vive em unidade com Ele. (Pasta IX — Ano 1989 — Subpasta 6)

No Espírito Santo foi ressuscitada e acolhida no céu, como o seu Filho, para aí reinar eternamente com Ele. (Pasta IX — Ano 1989 — Subpasta 27)

Fonte: Livro Devoción de los Primeros Sábados Reparadores del Inmaculado Corazón – Reinado de María

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