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São Lucas, discípulo da Mãe de Deus

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São Lucas é um dos três evangelistas sinóticos e também autor do livro dos Atos dos Apóstolos. Sabe-se que era gentio, provavelmente nascido em Antioquia da Síria, uma das principais cidades do Império Romano e centro vital da expansão cristã fora da Palestina. Diferentemente dos apóstolos que provinham do povo judeu, São Lucas pertencia a uma família pagã; seu nome, de origem latina, confirma essa raiz.

Sua profissão era a de médico. São Paulo o menciona expressamente em sua carta aos Colossenses: «Saúda-vos Lucas, o médico amado» (Cl 4,14). Essa formação influenciou sua sensibilidade para com o sofrimento, os enfermos, os marginalizados e a compaixão que percorre toda a sua obra.

Seu chamado ocorreu não como discípulo direto de Jesus, mas como seguidor que recebeu a fé pelo testemunho dos apóstolos. Incorporou-se à missão acompanhando São Paulo, ao qual se uniu provavelmente em Trôade, conforme se deduz do texto dos Atos, onde o autor passa a utilizar o pronome «nós» (At 16,10). A partir desse momento, compartilhou viagens, perigos e prisões com o Apóstolo dos Gentios, até tornar-se seu fiel colaborador. Após o martírio de Paulo, São Lucas permaneceu ativo na pregação, redigindo sua obra sob a inspiração do Espírito Santo, recolhendo com fidelidade aquilo que «desde o princípio o viram com os próprios olhos e foram ministros da palavra» (Lc 1,2). A tradição antiga, entre outros testemunhos, a de Santo Irineu de Lião e Eusébio de Cesareia, situa a redação de seu Evangelho por volta dos anos 70-80 d.C.

São Lucas, o evangelista que mais escreveu sobre a Virgem Maria, dos quatro evangelistas, é São Lucas quem dedica maior espaço e atenção à figura da Virgem Maria. Dois capítulos inteiros de seu Evangelho, o primeiro e o segundo, contêm os relatos mais ricos e detalhados sobre sua vida, sua fé e seu papel na história da salvação, relatos que não aparecem com a mesma amplitude nos outros evangelistas. São Lucas é quem nos transmite os episódios mais queridos e conhecidos do povo cristão: a Anunciação, a Visitação, o Nascimento, a Apresentação no Templo, a busca e o encontro de Jesus entre os doutores, bem como o cântico do Magnificat e a presença da Virgem Maria em oração no Cenáculo.

Por que escreveu esses acontecimentos?

O próprio evangelista o explica ao iniciar sua obra: «Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme nos transmitiram aqueles que desde o princípio os viram com os próprios olhos e se tornaram ministros da palavra, decidi também eu, depois de investigar tudo diligentemente desde a origem, escrever-te tudo de forma ordenada» (Lc 1,1-3).

São Lucas não foi testemunha direta da vida terrena de Jesus, mas consultou cuidadosamente as testemunhas que o foram. A tradição teológica e exegética antiga, recolhida por autores como Santo Ambrósio de Milão e posteriormente pelos comentaristas da tradição mariana, assinala com especial fundamento que a própria Virgem Maria pôde ter sido fonte direta ou indireta desses relatos: quem melhor do que ela para relatar o que ocorreu na Anunciação, o que meditava em seu coração ou as palavras que seu Filho lhe dirigiu em momentos tão íntimos.São Lucas não apenas narra fatos passados, mas oferece a cada fiel, ontem e hoje, um modelo vivo de discipulado, de escuta da Palavra e de entrega generosa à vontade do Senhor. Tudo o que escreve o faz sob a inspiração do Espírito Santo, o mesmo Espírito que desceu sobre a Virgem Maria na Anunciação e que guiou os evangelistas para nos transmitir fielmente o Evangelho.

São Lucas, o evangelista que mais escreveu sobre a Virgem Maria

Dos quatro evangelistas, é São Lucas quem dedica maior espaço e atenção à figura da Virgem Maria. Dois capítulos inteiros de seu Evangelho, o primeiro e o segundo, contêm os relatos mais ricos e detalhados sobre sua vida, sua fé e seu papel na história da salvação, relatos que não aparecem com a mesma amplitude em Mateus, Marcos nem João. São Lucas é quem nos transmite os episódios mais queridos e conhecidos do povo cristão: a Anunciação, a Visitação, o Nascimento, a Apresentação no Templo, a busca e o encontro de Jesus entre os doutores, bem como o cântico do Magnificat e a presença da Virgem Maria em oração no Cenáculo.

O ensinamento de São João Paulo II sobre a obra de São Lucas e a Virgem Maria

«É conhecida a importância que São Lucas dá em seus escritos à presença e à ação do Espírito, desde a Anunciação, quando o Paráclito desce sobre Maria (cf. Lc 1,35), até Pentecostes, quando os Apóstolos, impulsionados pelo dom do Espírito, recebem a força necessária para anunciar em todo o mundo a graça do Evangelho (cf. At 1,8; 2,1-4). O Espírito Santo é quem forja a Igreja.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

Existe uma antiga tradição que venera São Lucas como aquele que pintou o primeiro retrato da Virgem Maria:

«Segundo uma tradição piedosa, São Lucas é considerado o pintor da imagem de Maria, a Virgem Mãe. Mas o verdadeiro retrato que São Lucas realiza da Mãe de Jesus é o que aparece nas páginas de sua obra: em cenas já familiares ao povo de Deus, traça uma imagem eloquente da Virgem. A Anunciação, a Visitação, o Nascimento, a Apresentação no Templo, a vida na casa de Nazaré, a disputa com os doutores e a perda de Jesus no Templo, bem como Pentecostes, forneceram amplo material, ao longo dos séculos, para a criatividade incessante de pintores, escultores, poetas e músicos.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

Por meio desses episódios, São Lucas nos introduz na interioridade da Virgem Maria:«Entretanto, o mais importante é compreender que, por meio das cenas da vida mariana, São Lucas nos introduz na interioridade de Maria, permitindo-nos descobrir ao mesmo tempo sua função única na história da salvação.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

A Virgem Maria é quem pronuncia o fiat:

«Maria é quem pronuncia o fiat, um sim pessoal e pleno à proposta de Deus, definindo-se “serva do Senhor” (Lc 1,38). Esta atitude de adesão total a Deus e de disponibilidade incondicional à sua Palavra constitui o mais alto modelo de fé, a antecipação da Igreja como comunidade dos crentes.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

«A vida de fé cresce e se desenvolve em Maria mediante a meditação sapiencial das palavras e dos acontecimentos da vida de Cristo (cf. Lc 2,19.51). Ela “meditava em seu coração”, para compreender o sentido profundo das palavras e dos fatos, assimilá-lo e depois comunicá-lo aos outros.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

No cântico do Magnificat:

«O cântico do Magnificat (cf. Lc 1,46-55) manifesta outro traço importante da “espiritualidade” de Maria: ela encarna a figura do pobre, capaz de depositar plenamente sua confiança em Deus, que derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

No Cenáculo:

«São Lucas também nos apresenta a figura de Maria na Igreja dos primeiros tempos, mostrando-a presente no Cenáculo à espera do Espírito Santo: “Todos eles perseveravam unânimes na oração, juntamente com algumas mulheres, com Maria, a mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1,14). O grupo reunido no Cenáculo constitui como que a célula germinal da Igreja. Dentro dele, Maria desempenha um papel duplo: por um lado, intercede em favor do nascimento da Igreja pela obra do Espírito Santo; por outro, comunica à Igreja nascente sua experiência de Jesus.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

«Assim, a obra de São Lucas oferece à Igreja que está em Pádua um estímulo eficaz para valorizar a “dimensão mariana” da vida cristã no caminho do seguimento de Cristo.» (São João Paulo II, Discurso em Pádua, 16 de outubro de 1997)

Bento XVI, as passagens de São Lucas sobre a Virgem Maria

«A contemplação de Cristo tem em Maria seu modelo insuperável. O rosto do Filho lhe pertence de maneira especial, porque foi formado em seu seio, recebendo dela também a semelhança humana. Ninguém se dedicou com tanta assiduidade à contemplação de Jesus quanto Maria. O olhar de seu coração concentra-se nele já desde o momento da Anunciação, quando o concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes percebe pouco a pouco sua presença, até o dia do nascimento, quando seus olhos podem contemplar com ternura materna o rosto do Filho, enquanto o envolve em faixas e o deita na manjedoura. As recordações de Jesus, gravadas em sua mente e em seu coração, marcaram cada instante da existência de Maria. Ela vive com os olhos fixos em Cristo e conserva cada uma de suas palavras. São Lucas diz: “Quanto a Maria, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2,19), e assim descreve a atitude de Maria diante do mistério da Encarnação, atitude que se prolongará por toda a sua existência: guardar em seu coração as coisas, meditando-as. Lucas é o evangelista que nos permite conhecer o coração de Maria, sua fé (cf. 1,45), sua esperança e obediência (cf. 1,38), sobretudo sua interioridade e oração (cf. 1,46-56), sua adesão livre a Cristo (cf. 1,55). E tudo isso procede do dom do Espírito Santo que desce sobre ela (cf. 1,35), como descerá sobre os Apóstolos segundo a promessa de Cristo (cf. At 1,8). Esta imagem de Maria que São Lucas nos oferece apresenta a Virgem como modelo de todo crente que guarda e confronta as palavras e as ações de Jesus, uma confrontação que é sempre um progresso no conhecimento de Jesus.» (Bento XVI, Audiência Geral, 28 de março de 2007)

São Lucas nos mostra a Virgem Maria como modelo insuperável de acolhimento da Palavra, de obediência fiel, de meditação assídua e de intercessão materna no nascimento da Igreja. Sua obra permanece como um dom precioso: por meio dela, cada fiel pode contemplar o rosto da Virgem Maria, aprender de seu exemplo e configurar-se cada vez mais a Cristo, seu Filho.

Fonte: Reinado de Maria

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