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São Martinho de Porres e seu amor à Santíssima Virgem Maria

Por Reinado de María

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Sua infância e seus pais

São Martinho de Porres Velázquez nasceu em Lima, no Peru, em 9 de junho de 1579. Foi filho de dom Juan de Porres, cavaleiro espanhol da Ordem de Alcântara, e de Ana Velázquez, mulher livre de ascendência africana, nascida no Panamá. Seu pai não se casou com sua mãe; deixou-a morando em uma casa humilde no bairro de San Lázaro e a visitava com frequência, mas durante anos não reconheceu publicamente os filhos. São Martinho foi batizado como filho de pai desconhecido na igreja de San Sebastián — a mesma pia batismal na qual, anos mais tarde, Santa Rosa de Lima também receberia o batismo.

Durante sua infância, São Martinho conheceu a pobreza e o desprezo por causa de sua origem e da cor de sua pele. Sua mãe o educou com grande ternura na fé cristã e no amor aos necessitados. Desde muito pequeno, ao sair para fazer compras, São Martinho distribuía entre os pobres tudo o que levava, até ficar com as mãos vazias. Dizia que eles sofriam mais do que ele.

Quando São Martinho tinha oito anos, seu pai, que estava a serviço em Guayaquil, decidiu reconhecê-lo, juntamente com sua irmã Juana, e levou os dois consigo para lhes proporcionar educação. Ali viveram por alguns anos: pela primeira vez, puderam contar com o carinho e a proteção de um pai. Entretanto, a separação de sua mãe lhe causou profunda dor; São Martinho nunca deixou de amá-la nem de cuidar dela quando retornaram a Lima. Aos doze anos, São Martinho voltou à cidade e começou a aprender os ofícios de barbeiro e curandeiro.

«Frei Vassoura»

Aos quatorze anos, São Martinho pediu para ingressar no Convento de Nossa Senhora do Rosário, da Ordem dos Pregadores. Por sua condição de filho não reconhecido e de origem mestiça, não foi admitido imediatamente como religioso, mas como «doado»: servia à comunidade sem gozar dos mesmos direitos que os demais. Mais tarde, após anos de fidelidade, São Martinho professou seus votos como irmão leigo, em 2 de junho de 1603.

No convento, eram sempre atribuídos a São Martinho os trabalhos mais humildes que ninguém queria realizar: varrer os claustros, limpar as celas, descascar verduras na cozinha, lavar as roupas e cuidar dos enfermos na enfermaria. São Martinho fazia tudo com alegria, sem nunca reclamar, e dizia que esses trabalhos eram os mais dignos porque imitavam a vida oculta de Jesus. Levava sempre a vassoura nas mãos e varria com tanta dedicação que os demais irmãos, carinhosamente, começaram a chamá-lo de «Frei Vassoura». Ele próprio se apresentava assim, com humildade: «Sou apenas Frei Vassoura, o servidor de todos».

Humildade

São Martinho considerava-se o último da comunidade. Quando alguém o elogiava, São Martinho ficava vermelho e dizia que não era assim, pois era um pecador indigno. Se alguém o tratava com dureza ou o desprezava por causa da cor de sua pele, São Martinho não respondia com raiva, mas com ainda mais dedicação ao serviço. Certa vez, um irmão lhe ordenou que limpasse seus sapatos; São Martinho o fez com respeito e lhe disse: «Deus lhe pague, irmão, por me permitir servi-lo». São Martinho aceitava as correções, mesmo quando não tinha culpa, e pedia perdão por seus supostos erros. São Martinho dormia em um colchão muito simples, comia o mínimo possível e escondia-se quando chegavam visitas para não ser visto. Sua grandeza consistia em não querer parecer grande diante de ninguém.

A Santíssima Virgem Maria

A devoção de São Martinho à Virgem manifestava-se com especial intensidade na oração do Rosário. O Papa São João XXIII o descreveu com estas palavras:

«Amou a Bem-aventurada Virgem Maria, cujo Rosário trazia sempre entre as mãos, e a tinha como dulcíssima Mãe querida».

A imagem do Rosário sempre em suas mãos manifesta uma piedade constante e filial: São Martinho recorria a Maria com confiança, contemplava os mistérios de Cristo e confiava à sua Mãe celestial sua vida de oração. Acta Apostolicae Sedis, ano de 1963, n.º 4–7, p. 6.
Os testemunhos do processo de sua causa descrevem, além disso, sua devoção mariana por meio de práticas concretas: São Martinho permanecia em oração na capela de Nossa Senhora do Rosário e participava do Ofício Menor da Virgem, que era rezado diante de uma imagem de Nossa Senhora no convento.

São Martinho reconhecia a Virgem como Mãe e recorria a Ela com amor e veneração. O Papa São João XXIII destacou expressamente esse aspecto ao afirmar que a tinha como «dulcíssima Mãe querida». Essa confiança filial é uma característica central da autêntica devoção mariana: o fiel confia-se a Maria e, seguindo seu exemplo, procura aproximar-se ainda mais de Cristo. Em São Martinho, essa devoção conviveu harmoniosamente com sua identidade dominicana, sua oração perseverante e seu serviço caritativo. Acta Apostolicae Sedis, ano de 1963, n.º 4–7, p. 6; Acta Sanctorum, novembro, tomo III, p. 137.

O caráter milagroso de sua vida

Deus enriqueceu São Martinho com dons extraordinários que se manifestaram ao longo de sua vida e ficaram registrados nos testemunhos do processo de canonização. Um dos mais surpreendentes foi o dom da bilocação: enquanto São Martinho permanecia no convento de Lima, pessoas que estavam em lugares distantes o viam em outros locais, atendendo enfermos, consolando moribundos ou ajudando missionários. Foi visto no México, na América Central, até mesmo no Japão e na África, enquanto seus superiores confirmavam que São Martinho jamais havia saído de Lima. Em certa ocasião, um comerciante enfermo em terras distantes foi atendido por um religioso que o curou; ao chegar a Lima, reconheceu em São Martinho aquele que o havia socorrido. Também foi visto entrando em quartos trancados à chave para acompanhar alguém que estava agonizando e, depois, São Martinho voltava à sua cela sem que ninguém lhe abrisse a porta. Quando lhe perguntavam como fazia isso, São Martinho respondia com simplicidade: «Quando Deus quer que eu esteja em algum lugar para ajudar alguém, Ele me leva até lá. Não pergunto como, apenas obedeço».

São Martinho curava, por meio da oração e de suas mãos, enfermos que ninguém conseguia curar: restituía a saúde a pessoas paralíticas, curava infecções graves e aliviava o sofrimento dos doentes desenganados. Conta-se que São Martinho pacificava os animais: ratos, cães e gatos comiam juntos depois que São Martinho lhes falava com ternura. São Martinho multiplicava os alimentos para os pobres e fazia chegar auxílio a quem precisava, mesmo que estivesse longe. Entretanto, São Martinho sempre dizia: «Eu não curo; Deus é quem cura».

Morte e canonização

Esgotado pelo serviço, pela oração e pela penitência, São Martinho adoeceu gradualmente. Recebeu os santos sacramentos com devoção e faleceu em 3 de novembro de 1639, aos sessenta anos de idade. Uma imensa multidão encheu a igreja de Santo Domingo para se despedir de São Martinho; todos queriam aproximar-se de seu féretro, beijar suas vestes e conservar algo seu como recordação. São Martinho foi beatificado em 1837 pelo Papa Gregório XVI e canonizado em 6 de maio de 1962 pelo Papa São João XXIII. É padroeiro da fraternidade entre as raças, dos trabalhos humildes e da caridade universal.

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