A oração pelos falecidos nasce da fé na comunhão dos santos e na misericórdia de Deus. A Igreja ensina que aqueles que morrem na graça de Deus, mas ainda necessitam de purificação, podem ser auxiliados pelos sufrágios dos fiéis, especialmente pelo Sacrifício Eucarístico. Nesta comunhão, os católicos podem confiar os falecidos à intercessão da Santíssima Virgem Maria e pedir-lhe que interceda por eles; esta confiança pertence à vida de oração da Igreja, embora a doutrina definida sobre o Purgatório e os sufrágios deva distinguir-se das expressões particulares da piedade mariana.
O Purgatório é a purificação final daqueles que morrem na amizade de Deus e estão destinados à vida eterna. Não é uma segunda oportunidade de conversão nem o castigo dos condenados, mas sim a purificação dos eleitos, para que possam entrar plenamente na comunhão com Deus. A Igreja relaciona este ensinamento com a prática de orar pelos falecidos, já presente na Sagrada Escritura. O Catecismo cita o Livro dos Macabeus: Judas ofereceu uma expiação pelos mortos «para que fossem libertados do seu pecado» (2 Mac 12, 46).
A oração pelos falecidos expressa a comunhão dos santos: aqueles que peregrinam na terra podem interceder diante de Deus por aqueles que morreram e ainda necessitam de purificação. Não se trata de alterar a vontade de Deus nem de comprar a salvação, mas de suplicar a sua misericórdia e oferecer-Lhe, unidos a Cristo, orações e obras de piedade pelos falecidos. O Catecismo ensina que, desde os seus primórdios, a Igreja oferece por eles «sobretudo o Sacrifício Eucarístico», e recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência.
O Diretório sobre a Piedade Popular descreve os sufrágios como uma súplica a Deus para que tenha misericórdia dos fiéis defuntos, os purifique e os conduza ao seu Reino. Coloca em primeiro lugar, entre os sufrágios, a celebração da Eucaristia; menciona ainda as orações, as esmolas, as obras de misericórdia e as indulgências aplicadas em seu favor.
São João Paulo II recordou que, na Eucaristia, a comunidade apresenta ao Pai aqueles que morreram, para que sejam purificados, se necessário, e alcancem a alegria eterna. Acrescentou:
«A Igreja crê que as almas detidas no Purgatório são ajudadas pelas orações dos fiéis e sobretudo pelo aceitável Sacrifício do Altar», assim como pela «esmola e outras obras de piedade».
São João Paulo II exortou expressamente os católicos a orarem com fervor pelos seus familiares e por todos os irmãos e irmãs falecidos, para que obtenham a remissão das penas devidas aos seus pecados.
O Compêndio do Catecismo resume que os fiéis podem socorrer as almas do Purgatório «com orações de sufrágio, especialmente com o Sacrifício Eucarístico», e também mediante esmolas, indulgências e obras de penitência. CIC 211
A Igreja confia à Virgem as necessidades dos seus filhos, incluindo os falecidos. São João Paulo II, ao incentivar os fiéis a orarem pelos defuntos, confiou-os — juntamente com Santo Odilon e São José — à intercessão de Nossa Senhora. Este gesto papal mostra que pedir a intercessão mariana pelos falecidos é uma prática legítima e encorajada na vida da Igreja.
A tradição de piedade mariana expressou esta esperança com imagens consoladoras. Um texto devocional recolhido numa obra de Santo Afonso Maria de Ligório atribui a Santa Brígida a invocação «Mãe de todos os que estão no Purgatório» e apresenta o nome e as súplicas de Maria como consolo para essas almas.
A Santa Missa é o sufrágio principal, à qual se unem a oração pessoal, a esmola, a penitência e outras obras de piedade. A devoção a Maria acompanha esta prática: os fiéis podem confiar-Lhe os seus falecidos e pedir a sua intercessão, com a certeza de que toda a ajuda e salvação vem de Deus por Jesus Cristo. Assim, a oração por aqueles que partiram mantém viva a esperança de que, purificados pela graça divina, alcancem a plenitude da vida eterna.
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