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A Fe Da Virgem

Por Meditaciones sobre la Santísima Virgen. Idelfonso Villar

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Obscuridade

Deus quis envolver a fé numa obscuridade que, no meio da sua certeza e infalibilidade, a tornasse mais meritória. A fé é certa, com uma certeza que se fundamenta no próprio Deus, que não se engana nem pode nos enganar; mas a fé é obscura, por vezes muito obscura, de tal modo que nunca poderemos, nesta vida, chegar a compreender as verdades que nos ensina. Por isso, essas verdades chamam-se mistérios. O mistério é uma verdade tão inacessível à razão humana que, sem a revelação divina, não seria sequer possível conhecer a sua existência; e, mesmo depois de conhecida a sua existência pela revelação, não se pode penetrar o que ela é em si mesma, nem explicar como pode ser assim.
Há ainda mais. A verdade revelada é de tal ordem que, por vezes, não só temos de crer no que não vemos, mas até no que é contrário ao que vemos. Lembra-te do Dogma da Eucaristia: todos os sentidos te asseguram a presença do pão, mas, segundo a fé, ele já não existe — existe unicamente o Corpo e o Sangue de Cristo. Este é, sem dúvida, o sacrifício mais meritório que a fé nos exige. Se não fosse assim, onde estaria o mérito? Seria meritório crer no que Deus nos ensina se fossem coisas fáceis de compreender, de ver e de comprovar pelos sentidos ou pela razão? Pois bem, olha agora para Maria. A Ela também não faltaram as grandes obscuridades que tornaram a sua fé tão meritória.

O Nascimento

Jesus aparece como um menino, em tudo igual aos demais. A Virgem sabia que Ele era o Filho de Deus, mas que provas tinha diante de si? Pelo contrário: um menino pobre, desvalido, chorando como todos, que não sabia falar, nem andar, nem fazer nada por si mesmo, que precisava de alimento, de cuidados, de sono, como os outros; perseguido e abandonado por todos… Seriam tudo isto sinais de divindade? Mas o Filho de Deus havia de nascer assim? O presépio, a manjedoura, os animais que O acompanham — seria isto digno de um Deus? Como é possível? Não estará Ela enganada? Não terá concebido uma ilusão que não pode ser real?

Na vida oculta

As obscuridades continuaram para Maria também nesta fase. Jesus aparece como um jovem de uma aldeia pobre, sem instrução, sem dar qualquer sinal do seu poder e da sua sabedoria. Mais tarde, será o operário de uma oficina de carpinteiro, passando por um simples aprendiz, até chegar, no pleno desenvolvimento das suas capacidades, a ser um oficial de carpintaria! Que caminho! E que posição brilhante para o Rei do trono de Davi!, para o Messias prometido!, para o Filho de Deus!
E quando o Menino se perdeu, que obscuridades no meio das aflições que então atormentaram o coração de Maria! Tais foram essas obscuridades que, mesmo depois de O encontrar e de ouvir as suas palavras, diz o Evangelho que Maria não as compreendeu.

Na vida pública

É certo que nela se manifestam detalhes e luzes claras da divindade. Mas, ao mesmo tempo, que obscuridades! Que sombras por toda a parte! O povo crê nEle e O segue, mas os doutores, os sacerdotes e sumos sacerdotes, os fariseus e os mestres da Lei O perseguem até à morte; os discípulos e apóstolos são pessoas simples, sem instrução, afinal, homens pobres. Eles próprios hão de envergonhar-se de ser Seus discípulos, hão de abandoná-Lo e renegá-Lo. Os seus inimigos conseguirão prendê-Lo e submetê-Lo a sofrimentos cruéis, a castigos infamantes reservados a escravos, ladrões e gente vil: as bofetadas, os cuspir, os açoites, a coroa de espinhos, a Cruz e nela a morte, escarnecido, desonrado, vencido aparentemente pelos seus inimigos. Seria este o Filho de Deus? Os próprios inimigos diziam: «Se é Filho de Deus, desça da Cruz!», e triunfe de tudo e de todos.

Fé inquebrantável

Apesar de tudo isto, que faria vacilar qualquer pessoa, Maria não duvidou nem um instante. Crê na palavra do Anjo e nela reconhece a voz de Deus que Lhe revela quem seria o seu Filho. Adora os mistérios sacrossantos e profundíssimos da vida e da morte de Jesus; procura compreender os ensinamentos sublimes da sua pregação e, embora adornada de graças excepcionais, tanto na ordem natural como sobrenatural, e apesar das revelações e luzes tão extraordinárias que recebeu, não deixa de ser criatura e, como tal, não pode abarcar os abismos insondáveis e infinitos da divindade; por isso, abraça-se com humildade à fé confiante, que a leva a aceitar com gratidão e alegria tudo o que não vê e não compreende, confiando nos desígnios da Providência divina. Admira esta humildade tão genuína e tão natural de Maria em todos os seus atos de fé: pronta, em todo o momento, a deixar-se guiar pela vontade de Deus, a submeter a sua própria razão com prontidão à vontade divina; e, finalmente, a confiança nEle, que a faz abandonar-se nos braços do Senhor, mesmo sem ver nem compreender para onde nem por onde a conduz.

A nossa fé

É assim também que deve ser a nossa fé, fruto da nossa humildade, da nossa obediência e da nossa confiança em Deus. Todos os pecados contra a fé nascem de uma destas três raízes; a falta destas virtudes explica a origem de todas as heresias. Lembra-te disso, especialmente nas dificuldades ordinárias que acompanham a fé e nas provações extraordinárias que, por vezes, Deus permite nas almas. Se praticares estas virtudes, imitando o exemplo de Maria, não duvides: hás de triunfar. Não esqueças também isto quando surgirem dúvidas: a soberba, a confiança excessiva em si mesmo, o hábito de julgar tudo segundo o próprio critério — é isso que tem cegado muitos e os tem afastado da fé. Pede à Santíssima Virgem, nesta luta tão forte dos nossos dias, que o seu exemplo te ensine e te anime, para que a tua alma saia vitoriosa.

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